Caminhamos como peregrinos à cidade santa, a Jerusalém do céu. Para alguns os passos se tornam pesados, mas, para outros acabam se tornando uma oportunidade de mudança e reencontro com o transcendente. Quando aproveitamos as oportunidades, as mudanças são visíveis e sinceras, aqui começa a verdadeira peregrinação, sabendo que a graça vai acontecendo ao longo do tempo, isso é o que se espera ao longo deste ano santo, perceber que Jesus caminha conosco porque sabe das nossas necessidades e sonhos, por isso Ele vem, se aproxima, ensina e abre os nossos olhos.
Ao longo deste ano o caminho vem como um presente para ser desfrutado, cada um sabe como deve se preparar para que seja diferente e proveitoso, basta se deixar conduzir pelo espírito, assim como Jesus no deserto.
O papa Francisco em suas catequeses para este tempo de graça, orienta que a meta sempre é Jesus. Quando se relê o texto de Jo 14,6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, a disposição constante faz perceber o sentido que vai construindo e formando esta vida para algo mais pleno e sólido.
Cada ensinamento de Jesus é uma lição e aprendizagem para transmitir a todos os seus ouvintes, não adianta estar caminhando se não tiver um fundamento firme da fé: “todo aquele que ouve essas minhas palavras e as põe em prática será comparado ao homem sensato que construiu sua casa sobre a rocha […] pelo contrário é um homem insensato […]” (Mt 7,24-27).
A peregrinação jubilar se apresenta na vida de todos os católicos como a semente lançada sobre o terreno da nossa história para nos fazer recomeçar. Este é o ciclo para voltar aos princípios, reconhecer o que não foi agradável aos olhos do Senhor e recomeçar buscando o sentido último da vida que se não estiver em Jesus nada do que fazer terá um efeito espiritual, mas simplesmente carnal, ou seja, humano. Se Jesus é plenamente humano e divino, deixemos que o humano, carnal em nós seja refeito, por mais que as feridas estejam profundas ou necrosadas, as graças divinas sobre passa a toda e qualquer debilidade ou fraqueza humana.
A partir desta abertura intelectual, o Jesus divino, passa a fazer parte da nossa vida carnal. A presença divina vai criando uma atração espiritual muito resistente, capaz de não somente curar estas feridas da carne provocadas pela concupiscência, mas, fazer que o espírito trabalhe na consciência, gerando algo prazeroso e esperançoso, sabendo que mesmo com feridas, lacunas espirituais, sentimentos mal resolvidos, bloqueios da não aceitação, tudo vem como ferramentas para ajudar nesta dinâmica de recomeçar em Jesus. Quantos católicos terão a vida humana e espiritual transformadas pelas graças derramadas ao longo desta trajetória?
Sejamos fortes, alguns irão perceber que um ano peregrinando é muito, mas, nada é comparado à grande peregrinação para o céu.
Todos estão de passagem pela terra, um dia iremos fazer a nossa Páscoa eterna, este é o tempo para colocar as coisas no seu lugar, a oportunidade é agora, em muitas coisas poderemos encontrar sentido ou não, mas, que a nossa consciência não nos acuse de não tentarmos, insistirmos e recomeçarmos.
Que Deus vos abençoe!