Cada ano temos a oportunidade de meditar sobre a vocação, já no quarto domingo da pascoa ao celebrarmos o Bom Pastor, quanto no mês de agosto, que o tema vocação se estende para todos os estados de vida. Seguindo a temática deste ano: “Peregrinos da Esperança”, peçamos que o Cristo Vivo e Ressuscitado sopre sobre as nossas comunidades paroquiais, grupos, movimentos e suscite jovens corajosos de seguir o impulso do Espírito.
Desde os seus primórdios, tal como nos relata a Sagrada Escritura, Deus foi chamando e reunindo o seu povo para uma missão. O início desta história é significativo: “Deus modelou o homem com argila do solo, inflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2,7). Desde a criação, temos uma vocação comum, e de grande dimensão natural e humana: a vocação à vida, quantas vezes paramos para meditar sobre este grande dom que está em nossas mãos e que depende simplesmente de nós mesmos em dar este impulso de querer viver, ou seja, deixar o ar, hálito, o ruah, o sopro que vem para nos fazer dar um salto gigantesco nesta realidade que Deus com gesto de paternidade presenteia a todos os seus filhos, e como criador deposita em cada obra algo extraordinário que faz o próprio ser criado dar uma resposta ad intra, do seu interior, por isso, uma criança quando nasce, entra em choque com a nova realidade, dentro do útero materno, está tudo sobre controle: respiração, alimentação, segurança, etc... mas a partir do nascimento, tudo começa a mudar, a criança deve responder ao impacto da novidade, ou seja, da vida, este impacto é justamente quando o ar, começa a entrar nos seus pulmões, ou seja, a resposta depende inteiramente desde ser que humanamente frágil e indefeso, necessita responder.
O processo de uma gestação até o nascimento, parece tão normal, mas na realidade vem de encontro como reflexão sobre o dom da vida como primeira vocação que cada ser humano está chamado a responder no que se refere a dar estímulos e impulsos de seguir caminhando.
Assim como a história do povo de Israel, que constantemente era interrompida pelos seus instintos de desviar dos planos salvíficos, Deus sempre encontrava meios e formas para fazer com que o seu povo voltasse para a sua vocação inicial. Ou seja, Deus, deposita no coração do seu povo algo extraordinário: “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5).
Este texto que está guiando ano jubilar é fundamental para manifestar que a vocação de cada um é digna de esperança para a realidade, ou seja, esperança de viver e gastar esta vida em proo da evangelização, do anúncio da Boa Nova do Reino de Deus, levando as pessoas a encontrarem um sentido mais plenos em suas vidas. Esta graça sempre foi derramada na igreja ao longo dos séculos, o mês vocacional vem para fazer despertar em todos este mover do Espírito como já foi remarcado, portanto, este mês é uma bela oportunidade para clamar a Deus para que sopre este hálito de vida sobre as comunidades paroquiais, movimentos, grupos e pastorais da igreja para que muitos jovens, assim como Adão, percebam que a sua vida só terá sentido doando-se pela causa do reino.
Uma vocação bem vivida, compreendida é esperança para Igreja, isso quer dizer que é uma vocação que dá sentido à vida. Aqui está o desafio da geração atual, onde tudo acontece rápido, imediato, em algumas ocasiões tomam decisões em meio a fortes pressões. O mundo caminha para uma globalização de pensamentos e ideias práticas e soluções sem um compromisso de pôr vida, mas algo que seja curto e satisfatório.
Em meio a esta turbulência vive, absorve, participa e faz parte os jovens, este é o mundo criado por Deus que caminha em contraposição ao que Deus sonhou, mas Deus não desiste em chamar e convocar e desafiar estes jovens a gastar as suas energias pela salvação das almas.
O Santo Padre, o Papa Leão XIV apareceu na Loggia Central da Basílica Vaticana para recitar a oração do Regina Caeli, dia 11 de maio de 2025: “Hoje, portanto, irmãos e irmãs, tenho a alegria de rezar convosco e com todo o Povo de Deus pelas vocações, especialmente pelas do sacerdócio e da vida religiosa. A Igreja precisa tanto delas! E é importante que os jovens e as jovens encontrem, nas nossas comunidades, acolhimento, escuta, encorajamento no seu caminho vocacional, e que possam contar com modelos credíveis de dedicação generosa a Deus e aos irmãos. Façamos nosso o convite que o Papa Francisco nos deixou na sua Mensagem para o Dia de hoje: o convite a acolher e acompanhar os jovens. E peçamos ao Pai celeste para sermos os “uni para os outros, cada um de acordo com o seu estado, pastores “segundo o seu coração” (cf. Jer 3,15), capazes de ajudar-nos uns aos outros a caminhar no amor e na verdade. E aos jovens digo: “Não tenham medo! Aceitem o convite da Igreja e de Cristo Senhor!” Que a Virgem Maria, cuja vida foi toda uma resposta ao chamado do Senhor, nos acompanhe sempre no seguimento de Jesus”.
O Papa expressou o que a Igreja precisa relembrar constantemente, rezar pelas vocações porque a Igreja precisa delas, que os jovens encontrem, nas comunidades, acolhimento, escuta, encorajamento no seu caminho vocacional. São conselhos importantes para fazer das comunidades paroquiais centros vocacionais, centros de animação vocacional. Como animar e entusiasmar os jovens das comunidades? a resposta seria simples, que os jovens perceberam que a comunidade vive com entusiasmo a mensagem de Jesus, que tem uma a vida de oração profunda e vive um desejo incessante pela santidade.
Então, mãos à obra.