
Abranger as obras de São José Manyanet, é uma forma de poder conhecer a sua fisionomia empreendedora, espiritual e literária. Foi um homem que não deixou os desafios ou as barreiras ultrapassarem a sua decisão de fazer a vontade de Deus acontecer no meio social, assim como aconteceu e, todavia, acontece no pensamento e na vida de vários fundadores que ao iniciar uma obra de apostolado acaba encontrando aqueles que aparecem para interromper o andamento da obra de Deus, “se a sua obra provém dos homens, destruir-se-á por si mesma; se vem de Deus, porém, não poderei destruí-los” (Atos 5,38-39).
É interessante que cada santo tem as suas conexões com Deus e nada lhes faz desistir, isso tudo porque sabem que foi um chamado e uma intervenção divina, quando Deus pede algo, quer dizer que Ele estará à frente de tudo, simplesmente necessita de um mestre de obras, assim sendo o projeto vem de Deus, ele é inabalável, os santos perseveraram neste projeto com fé e coragem dando a cara a tapa, pois ninguém terá autoridade maior do que a de nosso Deus, mas se esta obra que o fundador deseja empreender for simplesmente por razoes humanas, já começará as manifestações do mal, assim como ocorreu com o relato bíblico da torre de Babel (Gn 11, 1-9), ao explicar a origem da diversidade de línguas e a dispersão da humanidade, narrando como Deus, ao ver os homens tentando construir uma torre que chegasse aos céus, confundiu sua única língua, fazendo-os não se entenderem e se espalharem pela Terra, assim também ocorre com as obras realizadas pelos homens, ao sermos obedientes e tementes a Deus, a obra pode avançar, porque Deus é o inspirador e chama homens e mulheres para fazer crescer e multiplicar.
Desde o início as obras projetadas pelo Padre Manyanet, visava alcançar diretamente as famílias, ou seja, a partir das escolhas, como uma extensão das famílias indo e formando o coração e a inteligência, para saber um pouco mais sobre estes pensamentos ou ideias basta ler as duas meditações 12 e 13 que fazem parte da obra literária ‘O Espírito da Sagrada Família’, onde se percebe que são duas colunas que sustentam a pedagogia manyanetiana, caracterizadas como elementos que ajudam a educação ser mais integral no desenvolvimento da pessoa e do ser humano. “Formar o coração não basta, é necessário dar aos nossos alunos uma instrução solida e análoga, mas sem deixar de unir aquilo que é útil ao agradável, do sólido ao brilhante, evitando não obstante tornar nossos alunos sábios aos brilhantes e por conseguinte, orgulhosos e vaidosos”. (Md 13, p.591-592 ou p157).
As obras materiais, estão relacionadas com as constrições: colégios, casas das comunidades, bens que foram adquirindo com o tempo. Que se caracteriza de forma visível com as duas fundações: Os Filhos da Sagrada Família de Jesus, Maria e José em 1864 e as Missionárias Filhas da Sagrada Família de Nazaré em 1874.
Por outro lado, as obras espirituais, que neste caso denomino de escritos, homilias, cartas, guias para a formação de religiosos e famílias, orações, enfim uma série de pensamentos que compõem esta vasta figura. Aqui gostaria de sitar somente três destes escritos mais relevantes: “A Escola de Nazaré e casa da Sagrada Família” (1895): Considerada sua obra principal, onde detalha a espiritualidade da Sagrada Família como modelo para o lar cristão: “Preciosa joia da família” (1899): Um guia sobre as virtudes familiares e a vida doméstica e “O Espírito da Sagrada Família” (1887-1895), que são as meditações: uma espécie de indicações, formações e exortações para os religiosos que trabalham com a educação.
Ao olhar para o fundador dos Filhos da Sagrada Família, não basta ver uma estrutura de governo, uma pedagogia, ou uma série de referências a Santa Casa de Nazaré, mas sobretudo, olhar para a sua alma, o seu espírito inquieto por fazer crescer o lar de Jesus, Maria e José neste mundo tão carente de valores familiares.
Que Deus vos abençoe!